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quinta-feira, 9 de junho de 2011

SEMPRE PE. ZEZINHO







SEMPRE PE. ZEZINHO

A ERA DO ENTRETENIMENTO POR PE. ZEZINHO
03/06/2011


Três livros que podem mudar suas cabeças são: Uma breve história do futuro – Jacques Attali; A Transparência do Mal - Jean Baudrillard e Em nome de Deus – Karen Armstrong. São profundos, mostram dados e fatos universais e levam a refletir. Livros que, depois que você os leu, não mudam absolutamente nada, são os que, já no título, garantem que mudarão sua vida; não tem nem conteúdo nem potencial para tanto. Os autores precisam tomar cuidado com o marketing de suas obras. Se venderam apenas cinco mil não digam que foram 200 mil, e se alguém exagerou nos números corrija na edição seguinte.
A Bíblia se compõe para os católicos de 73 livros, nenhum dos quais garantem que transformará sua vida. Mas o marketing moderno levou alguns jovens e atrevidos autores a declarar que seus livros trazem as respostas que você procurava... Trazem?
A era do entretenimento e da auto ajuda é também a era das respostas prontas, do fast food, da roupa feita, do prato feito e da religião de resultados pim-pam-pum. Fez, obedeceu, foi contemplado! Mas foi contemplado com o quê? Em alguns grupos de cunho político, entra-se livre e não se sai; ou quando sai, sai repetindo slogans, frases feitas. Em grupos religiosos de respostas prontas que tentam combater a era da indefinição, o fenômeno mais perceptível é que os jovens entram neles com 25 anos e saem de lá com 9, espiritualmente dependentes. Não é bom negócio sair de uma droga para entrar em outra...
O pregador moldado lembra a simpática  calopsita. Nenhuma frase lhe pertence. O que o pregador moldado fala sai editado e impresso como entrou. Ele não cria nem elabora. Apenas queima o que a matriz lhe envia. Na era da prótese as pessoas aderem ao grupo e saem de lá com uma prótese, um acréscimo que jamais assimilam; tornam-se mecanizados.
Pensar as incomoda e livros que levam a pensar são automaticamente excluídos pelos mestres ou pelos novos discípulos. Confundem questionamento com rebelião ou com indocilidade; fabricam tijolos humanos e expulsam os que fazem perguntas embaraçosas.
Partidos, Igrejas, e movimentos lidam mal com quem pergunta ou liga os fatos. A ordem é engolir, decorar e repetir: criam clones e andróides. Todos falam do as mesmas coisas do mesmo jeito. Dietrich Bonhoefer, em suas Cartas da Prisão lembrava o discurso dos nazistas. Hoje a mídia ajuda a forjar pregadores que apenas repetem. Não pregam. Imprimem o que lhes chega da matriz... Tijolo que não se encaixa, volta para a pilha ou para o lixo de onde veio.
Jesus fez o oposto, mandou pensar. E quem pensa oferece o mesmo conteúdo mas elabora, de tal forma que se torna um discorrer, um discurso, uma reflexão ad hoc, para aquele momento. Não deturpa, mas não imprime pura e simplesmente. Faz o que os judeus chamavam de mishnah  e católicos e evangélicos chamam de exegese.
Na era do entretenimento acabaram os interpretes. Não dá tempo de pensar. Então eles imprimem o que lhes chega da matriz pensante. Diminuiu o número de pregadores que escrevem o discurso e o elaboram. Aumentou o dos improvisadores ou repetidores. E são repetidores exatamente porque improvisam. Não tendo preparado as anotações, sua fala que não consegue ser discurso fatalmente envereda pelas frases decoradas. 
Em tempo de computadores e Internet quem fizesse um match ou uma estatística dessas pregações justapostas descobririam quem usou e quantas vezes a mesma frase e de quem e aonde ela veio. Em alguns casos, no decurso de um ano uma comunidade inteira navegou sobre não mais de 50 frases... Triste, mas digno de um estudo criterioso. A era do entretenimento dispensou o dicionário. Muitos púlpitos também! E andam a dizer que se trata de virtude! Desde quando não ler e não estudar virou virtude?

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